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Dia Nacional da Consciência Negra.


A ideia de que vivemos em um país onde há democracia racial e de que não há racismo no Brasil é fruto de uma narrativa.
Um discurso intencional. Essa versão da história foi contada por algumas pessoas interessadas em validar o projeto colonizador em nosso território, desde sua vigência aos séculos posteriores.
Infelizmente, suas marcas - que podemos chamar de colonialidade -, se mantiveram. Projeto que além de explorar o território dos povos originários, escravizou a mão-de-obra indígena e negra, lucrando com o trabalho forçado e com o tráfico. Com isso, o Brasil se tornou o país das Américas que mais escravizou, sendo trazidos mais de 4,5 bilhões de pessoas negras do continente africano.
As marcas da escravidão estão em nossa sociedade até os dias de hoje, de diferentes modos. E, ao contrário do que tentaram nos convencer, o racismo existente em nosso país é irrefutável. Um racismo estrutural, como apontou Silvio de Almeida.
Após a abolição da escravatura, não houve políticas públicas para a inserção da população negra no mercado de trabalho, nos direitos sociais fundamentais e tampouco no sistema educacional. Dessa maneira, as instituições e relações sociais mantiveram as regras e padrões racistas, que perduram atualmente, o que torna o racismo uma decorrência da própria estrutura social.
Como forma de denegar essa condição, conforme nos ensina Lélia Gonzalez, narrativas como a da democracia racial foram disseminadas por meio de diversas estratégias. As consequências do racismo são sentidas diariamente pelas pessoas negras e estão estampadas nos índices socioeconômicos: são elas que ganham menos e também são os maiores alvos da violência. Suas memórias e referências culturais são recorrentemente apagadas, a despeito dos arranjos de reexistência elaborados por essa população.
Diante de tantos problemas, o movimento negro vem lutando por ações concretas de combate ao racismo e emancipação política, econômica, social e cultural. Nesse sentido, uma de suas conquistas foi a criação do Dia da Consciência Negra, que nos convida a olhar para esse processo histórico pautado no racismo e entendermos como ele ainda está presente em nossa sociedade, ampliando a discussão para a criação de ações afirmativas e políticas públicas que o combatam.
Maira Ferraz, educadora do Hai

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